O uso de plantas como medicamento é a forma mais antiga de cuidado conhecida pela humanidade e tem sido usada em todas as culturas ao longo da história.
Estima-se que ainda hoje mais de 80% da população mundial faça uso de medicamentos fitoterápicos (Miraldi; Baini, 2019).
Na antiguidade e na Idade Média, cerca de 80% dos remédios eram de origem puramente vegetal, os 20% restantes eram de origem animal e mineral.
Na Idade Média, os mosteiros eram o centro da cultura médica. Os monges cultivavam as plantas medicinais e tratavam os pacientes com elas. Além disso, também preservavam e copiavam manuscritos antigos sobre plantas medicinais.
Além dos jardins do mosteiro, as plantas medicinais também eram cultivadas em jardins reais e jardins de escolas médicas no início da Idade Média. (Beer, 2021).
Atualmente, os termos Plantas medicinais e fitoterápicos estão relacionados ao uso terapêutico de plantas e seus derivados para tratar ou prevenir doenças.
O Ministério da Saúde oferece as seguintes definições:
· Plantas Medicinais: Quando usamos o termo Plantas Medicinais nos referimos às plantas que possuem substâncias com propriedades medicinais em suas partes (como folhas, flores, raízes, cascas). São substâncias que podem ter efeitos terapêuticos e são utilizadas para tratamento ou alívio de doenças (Brasil).
· Fitoterápico: Ao usar o termo Fitoterápico estamos nos referindo a um produto obtido a partir de plantas medicinais. Eles podem estar disponíveis na forma de comprimidos, cápsulas, xaropes, cremes, entre outras apresentações (Brasil).
A Fitoterapia é a terapêutica caracterizada pela utilização de plantas medicinais em suas diferentes preparações farmacêuticas, sem a utilização de substâncias ativas isoladas, ainda que de origem vegetal (Brasil).
A Fitoterapia é uma Prática Integrativa inserida na Política Nacional de Práticas Ingegrativas e Complementares no SUS, que também possui uma política específica.
A Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos foi lançada em 2006 e tem o objetivo geral de garantir à população brasileira o acesso seguro e o uso racional de plantas medicinais e fitoterápicos, promovendo o uso sustentável da biodiversidade, o desenvolvimento da cadeia produtiva e da indústria nacional (Brasil, 2006).
A área conta com um Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos e com um colegiado.
O Ministério da Saúde possui diversos órgãos relacionados ao uso de plantas medicinais e fitoterápicos, refletindo a importância crescente da fitoterapia dentro das políticas de saúde pública.
Aqui estão os principais órgãos e iniciativas associadas:
• Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)
Função: A ANVISA é responsável pela regulamentação e fiscalização de medicamentos fitoterápicos no Brasil. Isso inclui a garantia de qualidade, segurança e eficácia dos produtos à base de plantas.
Atividades: Avaliar e aprovar registros de fitoterápicos, definir diretrizes para fabricação e comercialização, além de atualizar a lista de Denominações Comuns Brasileiras (DCBs) para plantas medicinais.
• Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos
Função: Atua no desenvolvimento de políticas e programas que envolvem medicamentos, incluindo fitoterápicos, com o objetivo de melhorar o acesso da população a terapias seguras e eficazes.
Programas: Implementa o Programa de Plantas Medicinais e Fitoterápicos no SUS, promovendo o uso racional de plantas medicinais.
• Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos
Função: Fomenta a pesquisa e desenvolvimento de novas terapias baseadas em plantas medicinais e fitoterápicos dentro do Sistema Único de Saúde (SUS).
Iniciativas: Apoiar estudos que comprovem a eficácia dos fitoterápicos e integrar novos tratamentos baseado em plantas ao sistema de saúde pública.
• RedeFito (Rede de Inovações em Medicamentos da Biodiversidade)
Função: Coordenada dentro do âmbito do Ministério da Saúde, reúne instituições acadêmicas e de pesquisa para promover o desenvolvimento de fitoterápicos e explorar a biodiversidade brasileira.
Atuação: Protagoniza projetos que buscam o desenvolvimento sustentável de recursos naturais visando a produção de medicamentos fitoterápicos.
Esses órgãos e programas são fundamentais para garantir que os fitoterápicos no Brasil sejam desenvolvidos e utilizados de maneira segura, eficaz e baseada em evidências científicas.
Relação dos 12 remédios fitoterápicos oferecidos pelo SUS
· Fitoterápicos - nome popular (nome científico)
· Alcachofra (Cynara scolymus L.)
· Aroeira (Schinus terebinthifolia Raddi)
· Babosa (Aloe vera (L.) Burm. f.)
· Cáscara-sagrada (Rhamnus purshiana)
· Espinheira-santa (Maytenus ilicifolia Mart. ex Reissek)
· Garra-do-diabo (Harpagophytum procumbens (Burch.) DC exMeisn.
· Guaco (Mikania glomerata Spreng)
· Hortelã (Mentha x piperita L.)
· Isoflavona-de-soja (Glycine max (L.) Merr.)
· Plantago (Plantago ovata Forssk.)
· Salgueiro (Salix alba L.)
· Unha-de-gato (Uncaria tomentosa (Willd. ex Schult.) DC.)
Dentro do Sistema Único de Saúde (SUS), o Ministério da Saúde permite que profissionais de saúde habilitados prescrevam fitoterápicos. Esses profissionais desempenham um papel muito importante no uso seguro e eficaz de medicamentos à base de planta medicinais.
O Ministério da Saúde oferece cursos, webnários e disponibiliza alguns documentos importantes para auxiliar profissionais de saúde na prescrição de plantas medicinais e fitoterápicos, tais como:
- Cartilha “Orientações sobre o uso de Plantas Medicinais e Fitoterápicos: Publicado pela Anvisa visando instruir sobre o uso seguro de planas medicinais e fitoterápicos.
Acesse em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/medicamentos/publicacoes-sobre-medicamentos/orientacoes-sobre-o-uso-de-fitoterapicos-e-plantas-medicinais.pdf
- Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira: Um compêndio farmacopeico constituído de formulações fitoterápicas oficinais ou farmacopeicas. Ele é composto por monografias, organizadas por espécie vegetal (e droga vegetal), nas quais estão, obrigatoriamente, descritos o modo de preparo das fórmulas, a sua indicação, modo de usar e as principais advertências relacionadas.
Acesse em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/farmacopeia/formulario-fitoterapico/arquivos/2021-fffb2-final-c-capa2.pdf
- Aplicativo MedSUS: O objetivo do aplicativo é facilitar o acesso às informações sobre medicamentos pelos profissionais de saúde e cidadãos. Neste aplicativo, encontram-se informações como nome dos medicamentos, forma farmacêutica, documentos necessários para retirada e onde encontrar.
- Memento Fitoterápico da Farmacopeia Brasileira: Publicado pela Anvisa, o memento contém 28 monografias com informações sobre indicações de uso e eficácia de espécies vegetais.
Acesse em: http://www.farmacia.pe.gov.br/sites/farmacia.saude.pe.gov.br/files/memento_fitoterapico.pdf
Riscos
Conforme alertado pelo Ministério da Saúde e por diversas publicações científicas da área, o uso de plantas medicinais e de produtos fitoterápicos possuem riscos potenciais que podem ocasionar reações adversas e efeitos colaterais graves ou produzir interações medicamentosas com remédios convencionais, potencializando ou reduzindo seus efeitos.
A prática de automedicação, que apesar de comum, pode representar riscos significativos, especialmente ao ignorar condições de saúde específicas ou potenciais interações.
A Compra de produtos provenientes de fontes desconhecidas pode levar ao uso de produtos de baixa qualidade, adulterados ou contaminados.
Assim, recomenda-se a consulta a um profissional de saúde qualificado para a obrenção de todos os benefícios dos produtos naturais, de forma segura e eficaz.
· ANVISA. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Formulário de Fitoterápicos da Farmacopéia Brasileira. 2ª ed. Brasília, 2021.
· AL-AHMAD, B. Phytotherapy and oral health. IIUM Journal of Orofacial and Health Sciences, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.31436/ijohs.v4i1.213.
· BEER, A. Have World Historical Events Influenced the History of Phytotherapy? American Journal of Biomedical Science & Research, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.34297/AJBSR.2021.12.001713.
· BRASIL. Ministério da Saúde. Plantas Medicinais e Fitoterápicos. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/sectics/plantas-medicinais-e-fitoterapicos
· BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos. Brasília, 2006. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Decreto/D5813.htm.
· BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria Interministerial Nº 2.960. Brasília, 2008.
· MIRALDI, E.; BAINI, G. MEDICINAL PLANTS AND HEALTH IN HUMAN HISTORY: FROM EMPIRICAL USE TO MODERN PHYTOTHERAPY. Journal of the Siena Academy of Sciences, 2019. Disponível em: https://doi.org/10.4081/jsas.2018.8529.
· RAMZAN, I.; LI, G. 1 PHYTOTHERAPIES — PAST, PRESENT, AND FUTURE, 2017.